Li sobre este tratamento na internet… Será que ele é bom mesmo?

Vivemos na era da informação. Fácil, rápida e ao alcance de todos. Mas cuidado: não confie em tudo o que lê ou ouve. Na área da saúde, informações equivocadas podem ter graves consequências. Na medicina tradicional, as recomendações de tratamento se baseiam em evidências. Mas de onde vêm estas evidências? De estudos científicos.

Os considerados de melhor qualidade são os chamados “estudos randomizados duplo-cego controlados por placebo”. O que isso significa? São estudos com um grande número de participantes, em que é feito um sorteio: um grupo recebe o tratamento, e o outro recebe um tratamento falso, chamado placebo. O comprimido (ou outro veículo usado para administrar o princípio ativo) é exatamente igual nos dois grupos, e nem o paciente, nem o médico sabem quem está tomando o remédio verdadeiro e quem está tomando o falso.

Apenas no final do estudo isto é revelado. É comum que alguns pacientes apresentem melhora com o placebo, pois o efeito psicológico de receber um “tratamento” e acompanhamento médico pode fazer com que eles sintam algum alívio dos sintomas. Para que um remédio seja considerado eficaz, sua ação deve ser significativamente superior à do placebo. Somente com esta comparação podemos separar o efeito psicológico do efeito real do medicamento. Por isso, não é porque fez bem para o seu vizinho que ele de fato funciona.

Além disso, os estudos nos permitem avaliar a segurança do tratamento. Sabemos que todo remédio pode ter efeitos indesejáveis. Precisamos conhecê-los, para poder determinar se os benefícios superam os potenciais riscos. Mesmo remédios ditos “naturais” precisam ser adequadamente testados. Hoje sabemos que algumas ervas e chás popularmente usados podem causar sérios danos ao fígado, por exemplo.

Muitos anúncios na internet e outros meios de comunicação trazem promessas sobre produtos cujos resultados na verdade não foram satisfatórios, ou produtos que não foram sequer testados. Estes não são recomendados pelas entidades médicas sérias, por não terem benefícios comprovados, por gerarem custos desnecessários e/ou por trazerem potenciais riscos à saúde dos pacientes. Portanto, desconfie ao ler anúncios de resultados milagrosos. Procure se informar em páginas cujas fontes são confiáveis (exemplos, no caso da endocrinologia, são as páginas da SBEM, SBD, ABESO e outras entidades). Consulte sempre o seu médico e tire suas dúvidas antes de iniciar qualquer tratamento.  A informação é valiosa, mas é preciso saber separar o joio do trigo.

 

 

Dra. Simone van de Sande Lee
Doutora em Clínica Médica pela UNICAMP
Médica Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Prof. Endocrinologia – UFSC

2 respostas
  1. Rafael Madeira
    Rafael Madeira says:

    Muito bom o texto, realmente é bem difícil se ter confiança em informações no meio de tantas inverdades. Mas obrigado pelas dicas de fontes confiáveis, começarei a usa-las.

    Responder

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