“Descobri que estou com diabetes… E agora?”

O diabetes melito atinge em média 8% da população adulta. Basicamente, existem o tipo 1 e o tipo 2. O tipo 1 surge com mais frequência em crianças e adolescentes e raramente está associado à predisposição familiar. Enquanto o tipo 2, que é o mais comum e ocorre em 90% dos casos, aparece geralmente em indivíduos adultos com mais de 45 anos e está associado a herança familiar, obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial, síndrome dos ovários policísticos, usuários de medicações psicotrópicas e apneia do sono. Valores de glicemia ≥ 126mg/dL após 8 horas de jejum, em duas dosagens, confirmam o diagnóstico de diabetes. No entanto, caso a pessoa não esteja em jejum mas tenha glicemia ≥ 200mg/dL juntamente com emagrecimento, sede e urina em excesso, o diagnóstico pode ser estabelecido. O tratamento medicamentoso do tipo 1 é com insulina, enquanto o tipo 2 é tratado com medicações orais, mas com o passar do tempo pode exigir insulinoterapia.

Feito o diagnóstico, aumenta a necessidade de aderir a um estilo de vida mais saudável! O diabetes é uma doença crônica, incurável, mas com controle através de hábitos saudáveis e uso de medicações. O uso de medicamentos não é suficiente para bom controle da doença. O paciente diabético deve encarar o cuidado com a alimentação, a manutenção do peso saudável e a prática de atividade física como parte importante do tratamento! Quando isso não ocorre, a doença evolui com pior prognóstico, evolui mais rapidamente e no caso do diabetes tipo 2, evolui com a necessidade de várias medicações orais e posteriormente insulina.

A alimentação do diabético precisa ser variada e em quantidade adequada para ajudar no controle do peso saudável, da glicemia, do colesterol e da pressão arterial. O diabético deve seguir as orientações de cuidar principalmente da ingestão de carboidratos, estar disposto a mudança de hábitos e ajuste das preferências pessoais. A prática de 150 minutos de atividade física por semana ajudará no controle da glicemia e na ação das medicações usadas no controle da doença. Não deve esquecer de usar calçado confortável durante os exercícios e examinar os pés diariamente a procura de calosidades, micoses, ferimentos e deformidades.

A medida da glicemia capilar com glicosímetro (aquele aparelho para medir a glicemia em casa) deve ser realizada por todo paciente usuário de insulina pelo menos duas vezes por dia e idealmente antes de cada aplicação de insulina, com o objetivo de manter as glicemias antes das refeições < 100 mg/dl e 2 horas após as refeições < 140 mg/dl, sem a ocorrência de hipoglicemia. A hemoglobina glicada é um exame que reflete o controle glicêmico nos últimos 3 meses e, de maneira geral, deve ficar abaixo de 6,5% para evitar as complicações micro e macrovasculares: retinopatia (cegueira), nefropatia (doença renal), infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (“derrame”) e insuficiência arterial periférica (falta de circulação sanguínea nas pernas e nos pés). Essa recomendação muda conforme a idade do paciente e outras doenças que possam acometê-lo.

Recomenda-se consulta com o endocrinologista no mínimo 2 vezes ao ano para aqueles com doença controlada e pelo menos 4 vezes ao ano para aqueles não controlados. Além disso, deve fazer acompanhamento com oftalmologista uma vez por ano para investigação de retinopatia e manter atualizadas vacinas contra as infecções: influenza, pneumocócica, hepatite B, difteria e tétano. Não esqueça de parar o tabagismo e restringir a ingestão alcoólica!

Como você pode reparar o estilo de vida do diabético é o recomendado para todas as pessoas, diabéticas ou não: prática de atividade física, cuidado com alimentação e consultas médicas periódicas. Seguindo essas recomendações você estará colaborando para ter um convívio harmonioso com a doença.



 

Emerson L. Marques
Doutor em Endocrinologia pela USP
Médico Endocrinologista HU – UFSC
Prof. Substituto em Endocrinologia – UFSC

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