MASTIGANDO

Historicamente o comer está relacionado a diversas razões que não as necessidades biológicas. Comida é prazer, comunidade, família, espiritualidade, relacionamento com o mundo natural e expressão de identidade. Quando os homens começaram a se reunir para realizar refeições, o comer passou a ser parte da cultura e não mais apenas uma necessidade biológica.

A abordagem apenas biológica da alimentação que considera somente a relação dos nutrientes (carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas, minerais e compostos bioativos) com o corpo humano é incompleta. A ciência da nutrição tem se desenvolvido a passos largos, com estudos científicos cada vez mais bem conduzidos fazendo destas relações biológicas recomendações de consumo de determinados alimentos e sugerindo a redução do consumo de outros. Tudo em nome de uma busca constante pelo saudável, pelo funcionamento ideal do metabolismo como um todo, pela busca da longevidade sem doenças crônicas. Entretanto estas recomendações por si mesmas não promovem a mudança de comportamento alimentar. Isso pode ser constatado ao analisarmos o aumento dos índices das doenças crônicas, transtornos alimentares e obesidade.
 


 
A obesidade é caracterizada pelo aumento na quantidade de massa adiposa acima do padrão de normalidade, distribuída por vários compartimentos corporais, como por baixo da pele, nas vísceras, na região das coxas e glúteos e no tronco. Esta doença já foi reconhecida como multifatorial, influenciada por fatores endógenos (genéticos, endócrinos, psicogênicos, medicamentosos, neurológicos e metabólicos) e fatores exógenos (alimentação, estresse e inatividade física) sendo também considerada uma doença inflamatória crônica.

Nos últimos anos ao tecido adiposo (gorduroso) foi designado o papel endócrino, devido ao fato deste secretar adipocinas. Estas controlam a ingestão alimentar, a homeostase energética, a sensibilidade à insulina, a angiogênese, a proteção vascular, a regulacão da pressão arterial e a coagulação sanguínea. Alterações nestas adipocinas podem constituir situação relacionada ao início dos problemas causados pela obesidade, como diabetes, hipertensão arterial, doenças vasculares e cardiovasculares.
A complexidade metabólica da obesidade gera a necessidade de integração de profissionais especialistas para a estruturação de ações terapêuticas multidisciplinares que analisem as questões biológicas da obesidade, mas também considerem os aspéctos emocionais, culturais e sociais que a envolvem. Para isso, a formação de uma equipe interdisciplinar tem-se mostrado eficaz em alcançar resultados satisfatórios na literatura científica.
Neste sentido o CCEM se reuniu para aliar conhecimentos e construiu estratégias apresentadas através do “Mastigando”. O Mastigando é um programa multiprofissional para emagrecimento em grupo que considera os fatores biológicos a serem modulados, mas também aborda os fatores psicossociais. Em encontros semanais durante 4 meses os participantes receberão orientações e intervenções da nutrição, psicologia, medicina e educação física. Nestes encontros será possível aprender a identificar os obstáculos para perda de peso construindo soluções coerentes com a necessidade de cada integrante. Cada indivíduo participará de forma ativa para modificar os comportamentos que dificultam ou impossibilitam a perda de peso atingindo, assim, o emagrecimento, o bem-estar psíquico e a melhora geral do estado de saúde.
Mais informações através dos contatos do CCEM ou da página no Facebook: https://www.facebook.com/projetomastigando/
Referências:
ALVARENGA, M.; FIGUEIREDO, M.; TEMERMAN, F.; ANTONACCIO, C. Nutrição comportamental. São Paulo:MANOLE, 2016.
CINTRA, D.E.; ROPELLE, E.R.; PAULI, J.R. Obesidade e diabetes: fisiopatologia e sinalização celular. São Paulo: SARVIER, 2011.

POLLAN, M. Em defesa da comida – um manifesto. Rio de Janeiro: Intrínseca; 2008.

 

 

 

 

 

 

 

Por Jeanine Schütz Cardoso Teófilo

Nutricionista

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