Câncer de tireoide

O câncer de tireoide é o tipo de câncer mais comum da endocrinologia. A incidência vem aumentando nos últimos anos, talvez ligada a fatores ambientais, mas com certeza à facilidade em se fazer mais diagnósticos. O exame de ultrassonografia é o que mais precocemente consegue detectar nódulos de tireoide, e muitas vezes é solicitado sem indicação médica precisa, e acaba por detectar alteração na glândula. Os nódulos são mais frequentes nas mulheres que nos homens e principalmente nas mulheres com mais idade, com mais de 50 anos. Felizmente a maioria dos nódulos são benignos e não necessitam de intervenção, apenas de acompanhamento periódico.

O endocrinologista é o profissional preparado para conduzir a avaliação de nódulo tireoidiano. A ultrassonografia é o melhor exame para encontrar o nódulo e avaliar suas características como tamanho, número e se há linfonodos (ínguas) na proximidade do mesmo. No entanto, a ultrassonografia não consegue definir qual o tipo de nódulo, se é benigno ou maligno. Para isso, é utilizada a punção aspirativa com agulha fina (PAAF), geralmente solicitada para nódulos maiores que 1,0 a 1,5 cm. É um procedimento simples, com ou sem anestesia local, praticamente sem riscos para o paciente e realizado pelo médico radiologista, guiado por ultrassom. O médico radiologista tem o cuidado de guiar a agulha exatamente para o interior do nódulo, sem atingir outras estruturas do pescoço. Após o procedimento o paciente pode ficar com dor local e ter pequeno ponto de sangrento, nada significativo.

Existem 4 tipos de câncer de tireoide: papilífero, folicular, medular e anaplásico. Os dois primeiros são os mais comuns e de “evolução benigna” na imensa maioria das vezes. O medular e o anaplásico são muito raros e tem tratamento e seguimento diferentes dos demais.

Quando o resultado da punção evidencia malignidade, o câncer de tireoide, o tratamento é cirúrgico com retirada de toda a glândula. Quando o câncer é do tipo papilífero ou folicular, dependendo do tamanho do câncer, o paciente é encaminhado para a chamada “ablação de resto tireoidiano” com radioiodo. O radioiodo é um líquido radioativo ingerido, que vai no local onde ficava a tireoide e destrói todas as células que restaram após a cirurgia. Para receber o radioiodo, o paciente faz uma dieta pobre em iodo nos 15 dias que antecedem a ablação. Posteriormente, dependendo da dose indicada, fica de 24 a 48 horas isolado num quarto especial para não transmitir a radiação do iodo para outras pessoas. Recebe alta orientado a tomar certos cuidados como: manter distância de mulheres grávidas, evitar contato íntimo com crianças entre outros. Muito raramente se utilizada quimio ou radioterapia para tratamento do câncer de tireoide. No caso de câncer medular ou anaplásico o tratamento se resume à cirurgia na maioria dos casos e não se faz tratamento com radioiodo.

A princípio, a ideia de ser portador de câncer assusta a maioria das pessoas. No entanto, o câncer de tireoide é de bom prognóstico em 95% dos casos, não impactando negativamente na expectativa de vida. O endocrinologista é o profissional mais indicado para esclarecer e acompanhar o paciente portador de câncer de tireoide.



 

Emerson L. Marques
Doutor em Endocrinologia pela USP
Médico Endocrinologista HU – UFSC
Prof. Substituto em Endocrinologia – UFSC

 

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